Deu no Financial Times:
Leaders form non-US Americas bloc
By Adam Thomson in Mexico City
Published: February 24 2010 01:57 | Last updated: February 24 2010 01:57
Latin American and Caribbean leaders agreed on Tuesday to form a regional bloc without the US or Canada that intends to resolve regional problems and presents a common position on global issues.
The announcement, at the end of a two-day summit in the Mexican resort of Cancún, reflects an increasing determination among Latin American leaders to assert their vision in a region in which the US has traditionally wielded considerable influence.
Some officials even suggest that the organisation could ultimately rival and displace the Washington-based Organisation of American States, which includes the US and Canada, and has been the main forum for resolving the region’s priorities for half a century.
Addressing 24 heads of state and representatives of six other governments, President Felipe Calderón of Mexico said the grouping “must push for regional integration as a priority ... and promote the regional agenda in global meetings”.
Leaders are expected to decide the grouping’s organisational structure and official name at a summit next year in Caracas, the Venezuelan capital.
President Raúl Castro of Cuba was among the participants who applauded the bloc’s creation with enthusiasm. But the challenges to achieving regional unity were laid bare at a summit lunch on Monday when a verbal fight broke out between Álvaro Uribe, the Colombian president, and Hugo Chávez, his leftwing counterpart from Venezuela.
According to media reports, tempers frayed when the conservative Mr Uribe began to complain about trade sanctions imposed by Venezuela, and Mr Chávez responded with his own complaints about violence from paramilitary groups on the border.
The temperature eventually lowered – but only after Mr Chávez reportedly threatened to leave, and Mr Uribe told him to stay and to “be a man”.
According to Venezuelan state television, Mr Chávez then said: “Go to hell.”
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Crédito da matéria a Adam Thomson.
Trecho da declaração da constituição do novo bloco:
Hemos decidido:
1. Constituir la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños como espacio regional propio que reúna a todos los Estados latinoamericanos y caribeños.
2. Consolidar y proyectar, a nivel global, mediante la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños la identidad latinoamericana y caribeña con fundamento, entre otros, de los siguientes principios y valores comunes:
• El respeto al derecho internacional.
• La igualdad soberana de los Estados.
• El no uso ni la amenaza del uso de la fuerza.
• La democracia.
• El respeto a los derechos humanos.
• El respeto al medio ambiente, tomando en cuenta los pilares ambiental, económico y social del desarrollo sustentable.
• La cooperación internacional para el desarrollo sustentable.
• La unidad e integración de los Estados de América Latina y el Caribe.
• Un diálogo permanente que promueva la paz y la seguridad regionales.
3. Que la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños trabajará sobre la base de:
• La solidaridad.
• La inclusión social.
• La equidad e igualdad de oportunidades.
• La complementariedad.
• Flexibilidad.
• La participación voluntaria.
• Pluralidad.
• Diversidad.
Vide a íntegra do docto em: http://www.mre.gov.br/portugues/imprensa/nota_detalhe3.asp?ID_RELEASE=7860
Meus comentários:
Simon Bolívar estaria feliz. Duzentos anos após o início das lutas independentistas dos países latino-americanos – excetua-se aqui, propositalmente, o processo de independência haitiano, que se estendeu de 1798 a 1804, libertando-se do jugo francês -, os países do continente se reúnem e decidem formar a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos – dividindo a cena com o Grupo do Rio, criado em 1986, e que, a princípio, mantém suas atividades. A possibilidade de se criar uma organismo essencialmente latino-americano já havia sido aventada na primeira Cúpula da América Latina e do Caribe (CALC), no final de 2008, realizada no Brasil; contudo, naquela ocasião, o projeto não se concretizou. Desta feita, foi diferente. Ao que tudo indica, a nova organização sairá do papel em meados do próximo ano.
Além de EUA e Canadá, a nova entidade deixa de fora, por enquanto, Honduras, em função de sua eleição presidencial do último novembro ser considerada ilegítima pelos países da região.
A julgar pelas contendas diplomáticas e rusgas políticas entre os países da região, o bloco terá de realizar um esforço hercúleo para dirimir questões que há anos – e até décadas – se arrastam no cenário político continental. Exemplos de tais pelejas são o embate político e – secularmente – territorial, que já começa a contaminar a área econômica, entre Colômbia e Venezuela; a questão da papelera entre Argentina e Uruguai – que o MERCOSUL não conseguiu resolver e foi parar na Corte de Haia -; a disputa territorial entre Bolívia e Chile, que suspende as relações entre os países desde 1962, embora com um interregno de normalidade entre 1975 e 1978; direitos humanos em Cuba etc.
Esperamos, contudo, que a tônica da nova entidade seja diferente do tom inflamado que marcou as reuniões no México, onde foi possível ver um presidente dizer a seu homólogo para ir “para o inferno”.
Embora o bloco latino não tenha o objetivo de substituir a Organização dos Estados Americanos, o diplomata Paulo Roberta de Almeida não poupou ironia ao comentar em seu blog sobre a nova entidade regional:
“Acredito que os diplomatas lotados na OEA vão reclamar de perder aquela vida boa de Washington, tendo de se reunir, agora, entre Caracas, Quito, ou quem sabe até em La Paz? Aposto como a frequência vai diminuir...”
Este blogueiro prefere, talvez por certa ingenuidade juvenil ou por algum pseudopragmatismo acadêmico, manter-se otimista e esperar que a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos alcance os objetivos estabelecidos, renegando até mesmo as palavras do próprio Bolívar, que depois de tanta luta pelos países da região, disse ser a América ingovernável, e que trabalhar para sua união era o mesmo que “arar no mar”. Esperemos!!!
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